14 de setembro de 2004

O FIM DA VERGONHA (falta saber o começo de quê...)

Um dos piores momentos da minha vida passei-o entre as paredes do quartel de Setúbal. Depois de anos de faculdade, a endividar-me para estudar os autores clássicos e contemporâneos, vi-me na contigência de perder quase 2 anos da minha vida ao serviço de coisa nenhuma. Não se estava em guerra, havia gente suficiente para manter o número de generais no activo, mas mesmo assim, lá me chatearam. Fui à Inspecção, como os outros. Dei o meu pior nos testes físicos, como a maioria... e o meu melhor nos psicotécnicos, já que se a desgraça se confirmasse ao menos que vegetasse em furriel (um lindo nome, só comparável ao biológico "roaz corvineiro"!).
Lá fui parar à Reserva, mas ninguém me tira a sensação de impotência que me invadiu nesse dia, preso nas malhas do mais pacóvio do nosso país. Sabia que se quisesse sair naquele momento dali, haveriam de se cruzar armas à minha frente. E a perda de liberdade, meus amigos, é a pior das sensações.
Acaba no domingo o Quartel da Vergonha. Já não era sem tempo.
ps: que não se preocupem os mais sensíveis que existirão sempre tipos e tipas com gosto por se espojar na lama e esfregar no chão, antes de irem servir de choferes aos majores valentões.

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